segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CIBERCULTURA - Pierre Lévy. Editora 34 (edição brasileira) 1999.

Percebe-se a preocupação do autor em oferecer para os estudiosos a oportunidade de perceber a dinâmica dessa nova cultura humana pontuando caminhos de como usar o novo modelo comunicacional de forma inteligente, ressaltando a necessidade dessa nova geração estar em condição de participar ativamente dos processos de inteligência coletiva que representam o principal interesse do ciberespaço, afirma ainda, que os novos instrumentos deveriam servir prioritariamente para valorizar a cultura, as competências, os recursos e os projetos locais contribuindo para o individuo na participação de aprendizagem colaborativa.

Nota-se na primeira parte a relação que o autor imprime entre técnica, cultura e sociedade, ressaltando que a técnica é produto de uma cultura e a sociedade se encontra condicionada a sua técnica que por sua vez possibilita avanços em todos os aspectos da vida social. Sem a técnica, segundo o autor, algumas opções sociais e culturais não poderiam ser pensadas.

Pierre Lévy segue, na segunda parte de sua obra, pontuando as implicações culturais provocadas pela nova forma de comunicação, de sociabilidade e de inclusão, que ele denomina de ciberespaço, única forma de compartilhamento da “inteligência coletiva” para a discussão de diversos temas simultaneamente, sem submissão de qualquer controle ideológico. Ainda aí o autor coloca em discussão cuidadosa temas como: as artes, o saber e a cidadania.

No capitulo que trata da educação e cibercultura, o autor afirma que qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber. O ciberespaço atribui ferramentas para o professor se tornar um incentivador da “inteligência coletiva” e não apenas um transmissor de conhecimento. Com o uso da internet, novas formas de codificação do saber foram posta em jogo, a pesquisa e a troca de conhecimentos para a ser interativo, imediato tornando-se necessário romper como o modelo tradicional da escola.

Na discussão sobre cidadania enfatiza necessidade do uso do virtual para habitar melhor o real. Com a exploração das potencialidades do ciberespaço o individuo pode se organizar sozinho ou em grupo para articular assuntos que dizem respeito a diversos temas sociais, contribuindo parta descentralização da informação.

Outra questão importante colocada pelo autor é que com o surgimento do ciberespaço o Estado teme perder a sua soberania em relação à cultura e ao território. A rede é desterritorializante, através dela, pode-se visitar o mundo sem ter que passar pelos aparelhos repressivos e controladores dos Estados-nações.
Em sua reflexão o autor rebate críticas e responde questionamentos sobre o ciberespaço, afirmando que o virtual não substitui o real, não significa que o ciberespaço é uma ameaça ao espaço físico de desaparecimento, mas possibilita condições para se pensar o citiduano de forma diferente em vários espaços. A cibercultura através da técnica oferece oportunidade para mo desenvolvimento humano e por esse motivo ela é favor do bem público.

Por fim o autor pontua algumas questões relacionadas ao ciberespaço com freqüência, discordando da idéia de que o ciberespaço deve se tornar um “imenso mercado planetário e transparente de bens e serviços”, o autor defende que uma das principais características do ciberespaço é ser independente e comunitário, por isso não deve ser usado apenas comercialmente.

Pierre Lévy concluiu que alguns críticos estão “cegos e conservadores” em relação ao mundo virtual, que são movidos apenas pelo medo de perder o poder e o monopólio para o ciberespaço e diante disso não se permite conhecer esse novo modelo de comunicação e interatividade r as transformações positivas provocadas pelo mesmo.

Quanto a afirmação do ciberespaço ser sinônimo de exclusão, de caos e de confusão, Lévy admite que para as regiões em desenvolvimento o acesso à rede exige alto custo e toda tecnologia requer qualificação para ser manuseada, quanto a afirmação do caos e da confusão partem de falsas premissas de que não existe censura no ciberespaço e nenhuma autoridade garante o teor das informações disponibilizadas o que deixa o seu conteúdo vulnerável à desconfiança. Em respostas a essa questão ao autor diz que “os sites são produzidos e mantidos por pessoas e instituições que assinam suas contribuições e defendem sua validade frente à comunidade dos internautas”.

A importante obra desse filosofo francês presta importante contribuição para o entendimento do espaço de comunicação para a vida social na contemporaneidade e a sua leitura é extremamente importante para que o professor se instrumentalize tornando-se um incentivador da “inteligência coletiva” e conseqüentemente na construção de um NOVO modelo escolar.

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